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Emancipação iluminada, liberdade, pura e imaculada felicidade o esperam, mas você tem que escolher a embarcar na jornada interior para descobri-lo.
B.K.S Iyengar

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Retiro Caipira Yogi-style

Retiro Iyengar Yoga com Festa Junina: venha praticar iyengar yoga e curtir fogueira, quentão virgem, paçoca, pamonha, churrasco vegetariano e com direito a forró e documentário da cultura nordestina (pipoca e lareira!).

Nas práticas de asana, uma na sexta a noite, duas praticas no sábado e uma de manhã domingo, vamos explorar tadasana - para que todos saiam com uma postura melhor. Teremos também pranayama e, claro, meditação.

O pacote para o fim de semana fica em R$400 por pessoa e inclui hospedagem, 3 refeições, yoga e meditação, sauna e piscina, trilhas e cachoeiras, forró e documentário.

Faça sua inscrição já!!!!

Dulce: goaspabrasil.dulce@gmail.com ou 21 - 2521 1603
ou Priya: priya.yoga@yahoo.com.br ou 21 - 9974 5946

quarta-feira, 19 de junho de 2013

YAMA - disciplina ética - nas posturas

Na prática de Iyengar yoga, tem muito foco em alinhar. Alinhar o lado direito com o esquerdo, o frente com de trás, esticar os braços com a mesma intensidade que as pernas, até nos pranayama queremos sentir que os dois pulmões respiram homogeneamente. Porque essa obsessão com alinhamento? Será que é tão importante assim, mesmo? Já vimos que somos todos tortos, que o alinhamento perfeito não existe mesmo, então qual é de querer algo que sabemos impossível?

Além do alinhamento ser um foco ótimo para 'prender' nossa mente no momento presente, no livro "A Árvore da Yoga" o Iyengar revela para nós como o alinhamento nós faz trabalhar a não-violência (ahimsa) dentro de nós, e assim atua como o ponto de partida de todos os yamas.

Eu só tenho o livro em inglês, me permiti de traduzir o capítulo chamado "As raízes" que explica melhor (perdoa-me qualquer falha na tradução, se tiver dúvida por favor não hesite em me falar):





  "Todos os oito membros de yoga existem dentro da prática de asana (posturas, Priya com.). O primeiro membro de yoga é yama, que é comparado ás raízes da árvore porque é a fundação da qual todo o resto cresce. Vejamos como os princípios de yama são presentes no desempenho de asana

 Como já falamos, yama contem os princípios de ahimsa, ou não-violência, satya, ou veracidade, asteya, ou liberdade de avareza, brahmacharya, ou controle dos prazeres sensuais e aparigraha, ou não-cobiça. Suponha que no desempenho de asana você está alongando mais no lado direito e menos no esquerdo. Um estado antiético está se pondo no seu corpo. Tem violência no lado direito onde você está alongando mais, e o lado esquerdo, onde o alongamento está menos, parece ser não-violento. No lado direito, você está sendo violento porque está dizendo, ‘faça tanto quanto você puder! Alongue o tanto quanto você puder!’. É uma violência deliberada porque você está estirando demais. No lado esquerdo, onde você não está estirando tanto, talvez você tenha a idéia que você não está sendo violento. Mas um praticante inteligente de yoga observa que ao mesmo tempo em que ele está conscientemente violentando um lado, az e estira além, você está usando ao mesmo tempo ele também está fazendo violência inconscientemente no outro lado. Porque o lado direito está mais capaz, você está fazendo bom uso das células do corpo naquele lado, enquanto no lado esquerdo você não está usando plenamente suas células. Embora possa parecer não-violento, também é violência visto que as células morrerão quando elas não executarão as próprias funções. Um lado, portanto, manifesta violência deliberada, e o outro lado violência não-deliberada. 

  Se você estira o lado direito mais, e se o lado esquerdo não estira tanto, você não deveria observar a dualidade entre o direito e o esquerdo e fazer uso do lado esquerdo inteligentemente para estar á par com o direito? Isso é conhecido como equilibrando violência e não-violência, e nesse momento tanto a violência quanto a não-violência desaparecem. O que é necessário é a integração entre o lado direito e esquerdo do corpo e nesse equilíbrio entre os dois lados existe a verdadeira não-violência. 

   Quando o lado direito e esquerdo estão integrados, há verdade, que é o segundo princípio de yama. Você não precisa observar verdade, você já está em verdade, porque você não está escapando pelo falhar de realizar [o asana] no lado mais fraco. E quando tiver estiramento total no asana, tem uma tremenda compreensão e comunicação entre as cinco camadas do corpo do físico para o espiritual e do espiritual na direção do físico.  Portanto, tem controle das sensações físicas, flutuações mentais e contemplação intelectual e isso é brahmacharya. Brahmacharya significa que a alma se movimenta com sua ação. Quando tem unicidade da alma com a moção, isso é conhecido como brahmacharya.

  Como você está dando total atenção á realizar igualmente no lado direito e esquerdo, não há apego ou avareza, porque quando a alma está movendo-se com a inteligência do corpo, não há nada a possuir, nada a procurar. Há também liberdade da ganância, porque quando a motivação desaparece; assim também faz possessão, e com não-possessão, a cobiça também chega ao fim. 

  Esses são os princípios de yama como eles aparecem no desempenho de cada um dos asana. Isso é o que é conhecido como disciplina ética no desempenho de asana." 

BKS Iyengar em vrksasana

quinta-feira, 13 de junho de 2013

As articulações coxo-femurais - os quadris


Comparando com qualquer outro mamífero, a maneira como o ser humano se movimenta é único. Mas a postura ereta não é a mais eficiente para mover-se: o menor empurre é o suficiente para fazer-nos perder o nosso equilíbrio. De fato, andar não é nada mais do que uma constante tentativa de evitar uma queda. Portanto, testes metabólicos já provaram que nós queimamos mais energia dormindo do que passeando devagar. Isso é possível porque as forças estão perfeitamente balanceadas. Esse balanceamento é produzido pelas estruturas anatômicas envolvidas em mantendo uma postura ereta. A coluna vertebral tem um papel essencial e muito importante, mas o quadril, o joelho e o pé são as partes do corpo que têm que suportar a maior parte dos estressores mecânicos.  Essas estruturas anatômicas passaram pelas mudanças evolucionarias mais marcantes do todo o corpo, desde que nós éramos macacos andando de quatro e até agora, sendo yoguis e querendo ficar mais humanos - eretos e majestosos - a cada ano. Crença minha que, quanto mais alinhados e encaixados seremos menos energia gastaremos fazendo coisas comuns, como andar e sentar, e sobrará mais para outras atividades como meditar e salvar o mundo!                                         
                                           
Essas semanas eu estou explorando mais em detalhe os encaixes dos quadris em posturas em pé (utthista sthiti), posturas sentadas (upavista sthiti) e posturas com extensão da coluna para trás (purva pratana sthiti). Especificamente eu estou procurando a tal da entrada da cabeça do fêmur. Para criar estabilidade nos quadris e poder alongar a coluna, para que ela possa virar na direção que desejamos, as cabeças dos fêmures primeiro têm que entrar e o quadril se compactar. Mas o que significa mesmo entrar com a cabeça do fêmur e como fazer? Vamos ver:
 
O fêmur é o osso mais comprido do nosso corpo, na extremidade baixa ele faz parte do joelho e na extremidade alta, ele tem um pescoço, o colo, que

 sai para o lado e termina em uma cabeça careca que encaixa na pelve dentro de uma fossa, o acetábulo, em um ângulo de fora para dentro e no 
diagonal de frente para trás. Essa articulação, aliás, 
do fêmur com a pelve, é a articulação coxo-femural,
 comumente conhecido como o quadril.


 O encaixe tão importante desse osso começa em aulas básicas, com o professor insistindo em que você trague a nádega da perna direita para frente, e o tronco e cabeça para trás em posturas como trikonasana e virabhadrasana II. Para que isso possa acontecer, primeiro você teve que girar a coxa para fora, até criar uma linha reta passando pelo meio do pé, centro do joelho e o meio da coxa, sem deixar que a borda interna do pé fique leve no chão. Isso vai fortalecer os músculos que giram o fêmur para fora, dentro dos quais o mais conhecido é o piriformis – músculo pequeno que muitas vezes fica tenso demais e pode causar ciática.

- “Ah, beleza, você pensa, eu estou indo bem então, pois ando já com os pés virados muito para fora!”

E na próxima aula, o professor, ainda querendo ajudar a fortalecer seus quadris pelo encaixe do fêmur, pede para que você alinhe as bordas externas dos seus pés quando em tadasana e ainda que você gire a coxa para dentro, sem arrebitar o bumbum - parece que os pés também giraram para dentro! Mas que postura estranha! Isso trabalha os músculos que giram o fêmur medialmente, ou para dentro, sendo esses os glúteos medius e minimus.
E nas aulas mais avançadas, em adho mukha svanasana, por exemplo, o professor pede que você gire a coxa para dentro e para fora tudo ao mesmo tempo e assim compacte os quadris. Alguns professores falam em levar o trochanter (maior) para frente e o cóccix para baixo e para dentro. O trochanter maior é a parte do osso de onde sai o colo do fêmur, ou seja, a parte do osso que fica para fora quando a cabeça entra no acetábulo. O cóccix é o final da coluna, o começo do rabo que quando éramos macacos ainda tínhamos.

O professor americano de iyengar yoga Manuso Manos pede para olhar suas pernas quando sentado em dandasana. Se olhar a lateral externa das pernas,
vemos que a perna vem seguindo uma linha mais ou menos reta, até chegar perto da bacia, onde a linha desvia para fora, em forma de uma abóbora. Diz Manos, que precisamos tornar essa abóbora em um pepino longo e fino!

Para treinar como fazer isso tudo ao mesmo tempo, e finalmente sentir firmeza na articulação coxo-femural, a firmeza que vai permitir como que a coluna se estenda para cima com a mesma segurança que uma planta atravessa o solo para crescer na direção do sol, colocamos ontem um tijolinho entre o alto das coxas, e outro entre os calcanhares em adho mukha svanasana e uttanasana. Seguramos com força o tijolo entre as coxas, e pelos músculos internos das coxas, levamos o tijolo para traz (rotação interna) e então fizemos força no tijolo de baixo com os calcanhares e levamos os ligamentos externos dos joelhos para trás (rotação externa). Depois fizemos a mesma coisa em setu bandha com os joelhos dobrados e o sacro apoiado em um terceiro tijolo. Giramos as coxas para dentro (bordas externas dos pés alinhadíssimas!), segurando e levando o tijolo na direção do chão e então apertando o tijolo entre os calcanhares também. Em setu bandha nós ainda levamos o peso na direção das bolas dos pés e vimos como a bacia ficou leve de tão compactos os quadris - o sacro até saiu do tijolo. Sem incômodo na lombar! Desvendamos assim um dos segredos das extensões da coluna seguras e sem dor. Será que conseguiremos usar esses mesmos alinhamentos para fazer um supta virasana confortavelmente e sem dor na lombar? Vamos tentar amanhã!



Grata pela origem da foto: http://www.yogalac.ch/asanas%20L2.html